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Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Senado triplica os gastos com passagens aéreas para o exterior em 2009.


Parece que o escândalo envolvendo o uso de passagens aéreas por parlamentares no Congresso, conhecido como o episódio da “farra das passagens”, não foi o suficiente para diminuir as despesas do Senado com pagamento de bilhetes nacionais e para o exterior no primeiro semestre deste ano. Dados do Siafi (sistema que registra receitas e despesas de órgãos da União) mostram que o Senado desembolsou quase R$ 1,8 milhão para pagar passagens aéreas com destinos fora do país entre janeiro e junho de 2009. No mesmo período do ano passado, a Casa gastou R$ 549,9 mil com o mesmo tipo de bilhete, ou seja, três vezes menos do que o registrado em 2009.

Também houve crescimento com o pagamento de passagens para viagens no Brasil. No primeiro semestre deste ano, o Senado gastou R$ 7,8 milhões com esses bilhetes, enquanto nos primeiros seis meses de 2008 o órgão pagou R$ 5,1 milhões; uma diferença de R$ 2,7 milhões, ou 53% (veja tabela).

Apesar do aumento das despesas com passagens, os gastos com pagamento de diárias para hospedagem de senadores, servidores e colaboradores foram reduzidos neste primeiro semestre em comparação ao mesmo período de 2008. Com diárias efetuadas no exterior, o Senado desembolsou R$ 263,4 mil este ano, cerca de R$ 30 mil a menos do que em 2008. O valor pago com diárias dentro do país, por sua vez, soma R$ 143 mil, quase R$ 100 mil a menos que o registrado no ano passado.

Em março, o presidente da Casa, José Sarney, encomendou à Fundação Getúlio Vargas (FGV) estudo sobre a reestruturação administrativa do Senado com o objetivo de diminuir custos, cortar cargos e melhorar a eficiência do Legislativo. O convênio com esse propósito foi assinado pelo Senado e pela FGV naquele mês, quando o presidente Sarney anunciou que iria modernizar a instituição e torná-la mais transparente à fiscalização da população.

Para Lucio Castelo Branco, sociólogo e professor da Universidade de Brasília, o aumento dos gastos do Senado com passagens não é nenhuma novidade. Segundo ele, enquanto o Congresso Nacional for dominado por “oligarquias locais”, os problemas envolvendo mau uso do dinheiro público irão continuar. “No Senado, o problema das oligarquias é ainda mais grave. Quem dá as cartas por lá há décadas é José Sarney, o homem do Maranhão”, afirma.

De acordo com o sociólogo, parlamentares conseguem chegar ao poder “usurpando” o bem público por meio de uma “falsa democracia” que privilegia os corruptos. “O Congresso Nacional poderia se chamar casa dos amigos dos amigos. Todos eles usam e abusam do patrimônio público, pois, na visão deles, é um bem privado. Não há nenhuma responsabilidade pelo bem público”, critica.

A assessoria de comunicação do Senado informou que o aumento do valor pago de passagens aéreas para o exterior se deve a bilhetes emitidos para atividades administrativas, entre elas viagens de membros e convidados de CPIs, viagens ao Mercosul e ida de senadores à ONU, nos EUA. Para a assessoria, a média mensal desembolsada com passagens para fora do Brasil neste primeiro semestre é de cerca de R$ 290 mil, pouco mais que os R$ 237 mil registrados em todo o ano de 2008.

A assessoria afirmou, no entanto, que desde abril deste ano, quando houve resolução do Senado regulamentando regras para uso de bilhetes, as despesas com passagens vêm caindo. Por fim, a assessoria informa que do R$ 1,8 milhão usado para custear bilhetes para o exterior este ano, cerca de R$ 102 mil são relativos a “restos a pagar” – empenhos (reservas) orçamentários de anos anteriores não pagos e rolados para exercícios seguintes. A assessoria ainda prometeu fazer mais comentários sobre o assunto no período da tarde.

Fonte: Contas abertas (Texto de Lenadro Kleber).

Sábado, 11 de Julho de 2009

Associação ligada a Sarney deve ao governo e mesmo assim recebe verbas


A Associação dos Amigos do Bom Menino das Mercês, fundada e controlada pela família Sarney, ainda se beneficia de patrocínio estatal e repasse de incentivos fiscais, revela reportagem de Marta Salomon, Alan Gripp e Hudson Corrêa, publicada hoje na Folha (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL). A entidade está impedida de receber recursos do Orçamento da União desde janeiro.

Apesar de não ter prestado contas de convênio de R$ 150 mil com Ministério do Turismo, a associação recebeu na quarta-feira R$ 600 mil da Caixa para quitar as despesas de sete dias de festas juninas em São Luís. A associação recebeu pelo menos R$ 3 milhões de estatais, e há outros projetos em análise.

Os recursos foram liberados com base na Lei Rouanet, que dá incentivos fiscais a quem investe em projetos culturais.

De acordo com a reportagem, a associação recebeu pelo menos R$ 3 milhões de estatais, e há outros projetos em análise.
Fonte: Folha de São Paulo

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Tá vendo a foto? Amanhã estarão se apoiando, se beijando e se lambendo.


Foto: Fábio R.Pozzebom

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Fundação Sarney. Parceira de empresas fantasmas


A Fundação José Sarney - entidade privada instituída pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para manter um museu com o acervo do período em que foi presidente da República - desviou para empresas fantasmas e outras da família do próprio senador dinheiro da Petrobrás repassado em forma de patrocínio para um projeto cultural que nunca saiu do papel.

Do total de R$ 1,3 milhão repassado pela estatal, pelo menos R$ 500 mil foram parar em contas de empresas prestadoras de serviço com endereços fictícios em São Luís (MA) e até em uma conta paralela que nada tem a ver com o projeto. Uma parcela do dinheiro, R$ 30 mil, foi para a TV Mirante e duas emissoras de rádio, a Mirante AM e a Mirante FM, de propriedade da família Sarney, a título de veiculação de comerciais sobre o projeto fictício.
fonte: Congresso em foco

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Cartões Corporativos da presidência lembra? Então...dobraram os gastos


Os gastos com cartão corporativo da Presidência somaram no primeiro semestre R$ 3,787 milhões. Se comparado com o mesmo período de 2008, quando os gastos foram de R$ 1,867 milhão, as despesas praticamente dobraram. Os dados constam no Siafi (sistema de acompanhamento dos gastos públicos).

Segundo reportagem do jornal "O Globo", a Presidência também aumentou os gastos sigilosos que não são detalhados no Siafi e não apresentam a indicação do responsável pela despesa. Do total de saques com cartão registrados no Siafi no primeiro semestre deste ano, 99% não têm identificação do responsável.

Foi apontado em abril que entre janeiro e março deste ano os gastos do governo federal com cartões corporativos cresceram 142% em relação ao mesmo período de 2008.

O levantamento foi realizado por técnicos do PSDB com base em dados do Siafi. A pasta da Justiça, do ministro Tarso Genro, apresentou o maior aumento no uso do cartão.

Os dados apontam que as despesas passaram de R$ 4.910.363 no primeiro trimestre do ano passado para R$ 11.898.160 em 2009. Os saques em dinheiro com os cartões também aumentaram, saltando de R$ 2.195.9390 para R$ 4.407.625 - um crescimento de 100%.

De acordo com a pesquisa do primeiro trimestre, o Ministério da Justiça foi a pasta que apresentou maior aumento no uso do cartão. No início de 2008, gastou R$ 149,6 mil. De janeiro a março de 2009, usou R$ 2,2 milhões, um incremento de 1.397%. O que chama atenção nas despesas do ministério é que 78% foram sacados em dinheiro.

No ranking dos maiores gastadores, a Presidência da República ficava em segundo lugar. As despesas com os cartões aumentaram 242% - passando de R$ 1.228.692 em 2008 para R$ 4.205,956 - de um ano para outro.

Na época, o Ministério da Justiça informou que 90% dos gastos eram relativos aos cartões da Polícia Federal. Segundo a pasta, esse aumento se explica porque a PF não tinha cartão corporativo em 2008 - o mecanismo foi adotado em 2009.
Fonte: Folha de São Paulo

Domingo, 5 de Julho de 2009

R$ 160 milhões escondidos para os Senadores fazerem o querem, e o que acontecerá? Nada.


O Senado criou em 1997 três contas bancárias paralelas e deu ao então diretor-geral, Agaciel Maia, total liberdade para movimentá-las sem prestar esclarecimentos a ninguém. O saldo delas está hoje é de R$ 160 milhões.
As contas não estão na contabilidade oficial do Senado nem no Siafi (sistema de acompanhamento dos gastos públicos). A única fiscalização sobre a saída de dinheiro é de responsabilidade de uma comissão de 11 servidores. A atual composição desse colegiado foi toda indicada por Agaciel e, segundo a Folha apurou, nunca se reuniu para auditar os gastos.
Na prática, o conselho apenas referendava as decisões tomadas pelo diretor-geral.
O dinheiro das contas vem do desconto feito no salário de servidores da Casa para custear o plano de saúde. Mas só uma pequena parte desse valor é usada para essa finalidade porque o Senado custeia quase a totalidade das despesas médicas de seus funcionários -a Casa tem orçamento próprio para isso.
O saldo atual nessas contas representa mais de três vezes o gasto anual do Senado com despesas médicas, incluindo as dos senadores, de cerca de R$ 50 milhões.
As contas são constantemente movimentadas. Neste ano, ainda sob a gestão de Agaciel, foram autorizadas despesas de R$ 35 milhões. Até agora, já foram gastos R$ 6 milhões.
Até julho de 1997, o dinheiro dos servidores estava vinculado ao Fundo do Senado, que é acompanhado pelo Siafi. Contudo, naquele mês, a Mesa Diretora da Casa decidiu destinar esses recursos a três contas, duas na Caixa Econômica Federal e uma no Banco do Brasil.
Uma das contas na CEF é na agência da gráfica do Senado, reduto de Agaciel, onde ele foi diretor antes de assumir a Direção Geral da Casa. O Fundo de Reserva do Sistema Integrado de Saúde (SIS), como o dinheiro das contas paralelas é tecnicamente chamado, é administrado pelo vice-presidente do conselho de supervisão do SIS -que vem a ser o diretor-geral, até março Agaciel Maia.

Senadores
A comissão que decidiu separar as contas em 1997, retirando-as do radar do Siafi, era formada pelos ex-senadores Antonio Carlos Magalhães, Geraldo Melo, Ronaldo Cunha Lima, Lucídio Portella, Emília Fernandes e Marluce Pinto.
Segundo a Folha apurou, a utilização dessas contas já foi alvo de denúncias de desvio de dinheiro para a reforma de um gabinete da gráfica do Senado. O caso, porém, foi arquivado depois que servidores envolveram os nomes de dois senadores nas acusações.
No mês passado, foi noticiado que existiam duas contas paralelas da Secretaria de Informática do Senado (antigo Prodasen), com saldo de R$ 3,74 milhões. Diferentemente das contas da área da saúde, os recursos não eram movimentados havia anos e estavam incluídos no Siafi.
Agaciel perdeu o cargo no começo de março, após a Folha revelar que ele ocultou da Justiça uma casa avaliada em R$ 5 milhões. Ele ficou no comando administrativo do Senado por 14 anos. Foi nomeado em 1995 pelo então presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), eleito para a função neste ano.
No início da semana passada, o senador Tião Viana (PT-AC) afirmou que Agaciel fazia empréstimos a "fundo perdido" a diversos senadores.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), admitiu que tomou emprestado do ex-diretor-geral R$ 10 mil por meio de um assessor -o senador diz que devolveu o dinheiro.
Fonte: Folha de São Paulo